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Amigos se unem e criam cervejaria de sucesso em Mato Grosso

Há poucos meses no mercado, a Louvada já está ampliando a produção em cerca de 75%

Como convém a quem é cervejeiro, a ideia surgiu em uma mesa de bar. Foi no “pub” de uma cervejaria de Blumenau (SC), entre taças de chope e petiscos, que os amigos Ygor Quintela e Gregório Ballaroti tiveram o insight de montar uma fábrica de cerveja artesanal em Cuiabá.

Em visita à cidade catarinense, que é um dos pólos cervejeiros do Brasil, os dois amigos, moradores de Cuiabá, deram o início ao sonho de investir em cerveja naquela que é considerada uma das capitais brasileiras onde mais se consome a bebida. Ali, começava a nascer a Cervejaria Louvada, que está há menos de três meses no mercado e já conquistou o paladar cuiabano.

Não foi apenas a paixão pela cerveja que contribuiu para o sucesso instantâneo. O espírito empreendedor e a familiaridade com as finanças foram fundamentais. Desde 2008, Ygor e Gregório são sócios da filial cuiabana de uma corretora da Bolsa de Valores. Ao lado dos também sócios Fernando Zanetti, Rafael Mandu e Paulo Fortunato, eles abraçaram e levaram adiante o projeto.

A ideia começou a sair do papel no segundo semestre de 2014. Um ano e dois meses depois, a fábrica já estava em pleno funcionamento.

E menos de três meses após chegar ao mercado, a Louvada está dando o segundo passo: acaba de elevar de 20 mil para 35 mil sua capacidade mensal de produção e prepara o lançamento de três novos estilos.

Um deles, o IPA (India Pale Ale), preferido de uma grande parcela dos apreciadores da bebida por causa da generosidade na adição lúpulos, a florzinha milagrosa que confere amargor e aroma à cerveja.

Ainda haverá um outro para comemorar o aniversário de Cuiabá, em abril, e um terceiro feito para combinar com o clima quente da cidade.  A ideia é que até junho a empresa tenha oito estilos em seu portfólio.

O passo à frente está sendo dado muitos meses antes das previsões mais otimistas dos empreendedores, que já investiram R$ 3 milhões no negócio.

“Quando começamos, imaginávamos vender 20 mil litros em seis, oito meses… E no primeiro mês vendemos tudo”, comemora Ygor, o gerente comercial da empresa.

A Louvada está oficialmente no mercado desde novembro. Neste período já alcançou 58 pontos de venda – 52 deles na Grande Cuiabá. 

A procura é tamanha que a expansão para o interior e outros estados não é algo pensado para o curto prazo. A empresa quer, primeiro, fazer o “dever de casa”, ou seja, atender bem a demanda na Capital.

“Boom”

Os sócios estão sabendo aproveitar um momento mágico para a chamada cultura cervejeira nacional. Com algumas décadas de atraso em relação a muitos países e séculos em relação a outros – como a Bélgica e a Alemanha -, o Brasil enfim acordou para a infinidade de possibilidades e sabores que a cerveja pode oferecer.

É cada vez maior o número de pessoas que consomem cervejas especiais no país. Em 2014, por exemplo, o faturamento no setor aumentou 11,6% na comparação com o ano anterior. Os números relativos a 2015 ainda não estão fechados. Mas a tendência é que continue crescendo nos próximos anos.

Para se ter uma ideia do potencial, o Brasil ainda tem cerca de 250 fábricas. Já nos Estados Unidos, existem mais de 2,5 mil.

Preferência

Apesar da variedade cada vez maior de estilos, na Louvada – e em grande parte das cervejarias, mesmo as artesanais -, o carro-chefe ainda é a pilsen, que responde por 75% de tudo o que sai dos fermentadores. Em segundo lugar, aparece a weiss, que é feita de trigo e atende por 19% do total vendido. Em seguida vem a APA (American Pale Ale), um estilo desenvolvido nos Estados Unidos, cuja receita leva lúpulos típicos norte-americanos.

De cada 100 litros de bebida que saem da fábrica, 85 vêm em barris de chope. E o restante em garrafa. A opção pelo chope é mais vantajosa para os dois lados. 

O consumidor ganha porque saboreia uma bebida que não passou pela pasteurização, o processo de estabilização microbiológica usado para alongar o prazo de validade, mas que altera suas características. A empresa também, porque reduz custos – já que não há envase em garrafa, rotulagem, pasteurização… –  e atinge um público maior.

“Um barril de 50 litros é dividido entre 50,  60 pessoas em uma festa. Já uma garrafa é para uma pessoa apenas”, explica Ygor.

A propósito, um barril de 50 litros de pilsen na loja da Louvada,  que fica anexa à fábrica, é vendido por R$ 570. As garrafas de 600 mililitros podem ser encontradas a valores entre R$ 12 e R$ 13 no mercado cuiabano.

E o “brewpub”?

O prédio onde está a planta da Louvada fica em um galpão amplo e funcional na avenida das Torres. Foi preparado para receber fermentadores capazes de produzir até 100 mil litros mensais.  A expectativa inicial era que em três anos a capacidade máxima fosse atingida. Mas pelo desempenho visto nos primeiros três meses, não será surpresa se a meta for atingida bem antes.

“A grande dificuldade de aumentar a produção é que você cria um monte de problemas. Precisa de mais chopeiras, precisa de mais logística, uma nova engarrafadora, nova rotuladora”, enumera Ygor. A empresa tem cinco funcionários, aos quais se juntam quatro dos cinco sócios, que participam do dia a dia no chão da fábrica. 

É curioso que a Louvada tenha crescido tão rapidamente abrindo mão de uma estratégia comum no meio: os chamados “brewpubs”, bares da própria cervejaria construídos anexos à planta e que ajudam a escoar a produção, além de agregar valor à marca. Espaço para o “brewpub” existe.

Mas depois de um intenso debate entre os sócios, venceu a tese de não abri-lo. Ao menos por enquanto. “Temos a pretensão de ser uma cervejaria média. Queremos focar na produção”, explica Ygor.   

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